História do Cooperativismo

Cabe a quatro países europeus o mérito de abrigarem as primeiras sociedades cooperativas modernas, inspiradas nos princípios de solidariedade e na busca de se criar um sistema a serviço do homem: Inglaterra, França, Suíça e Alemanha.

  • OS PIONEIROS DE ROCHDALE

Na Inglaterra, na cidade de Rochdale, foi fundada em 21 de dezembro de 1844 a primeira sociedade cooperativa de consumo organizada, com a “Rochdale Equitable Pioners Society Limited”.

Fundada por 28 operários tecelões, liderados por Charles Howard, a Cooperativa de Consumo de Rochdale estabeleceu duas proposições fundamentais e históricas: a primeira, de distribuir as sobras “pró-rata” das compras feitas e, a segunda, de atribuir ao capital, pela sua melhor valia, apenas uma modesta retribuição, na forma de juros de 4% ao ano. Sua organização culminou com o lançamento de um manifesto, conclamando a todos os operários de Rochdale para se unirem a eles e participarem do empreendimento cooperativo.

Ao final do primeiro ano, a Cooperativa de Consumo de Rochdale já contava com 74 sócios, e o capital de 28 libras subira para 180 libras. Em 1847 a Cooperativa de Consumo de Rochdale passou a vender tecidos, além dos alimentos. Em 1850, comprou um moinho para reduzir o preço da farinha. Em 1853, arrendou um espaçoso armazém e abriu três filiais na própria cidade de Rochdale. Em 1855, contava com 400 sócios.

Em 1881, já existiam 1.000 cooperativas de consumo na Inglaterra, associando um total de 500.000 pessoas.

A partir dos empreendimentos originais, o cooperativismo ganha corpo, se espalha por todo o continente, com contribuições das mais diversas ordens: surgem novas formas de associação, tais como o cooperativismo industrial, o agrícola, o habitacional, o de trabalho médico, entre outras.

  • COOPERATIVISMO NO BRASIL

O processo de uma cultura da cooperação no Brasil é observado desde os primórdios da colonização portuguesa. Permaneceu incipiente e foi quase interrompido durante o escravismo, Esse processo emergiria no Movimento Cooperativista Brasileiro surgido no final do século XIX, estimulado por funcionários públicos, militares, profissionais liberais e operários, para atender às suas necessidades.O Movimento iniciou-se na área urbana, com a criação da primeira cooperativa de consumo de que se tem registro no Brasil, em Ouro Preto (MG), no ano de 1889, denominada Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos e Ouro Preto. Depois, se expandiu para Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, além de se espalhar nas Minas Gerais.

  • IMIGRANTES

Em 1902, surgiram as cooperativas de crédito no Rio Grande do Sul, por iniciativa do padre suíço Theodor Amstadt. Até que, a partir de 1906, nascem e se desenvolvem as cooperativas no meio rural, idealizadas por produtores agropecuários, cuja propagação deu-se em vários estados, principalmente junto às comunidades de imigrantes alemães e italianos, dando forma ao cooperativismo hoje existente no país.Os imigrantes trouxeram de seus países de origem a bagagem cultural, o trabalho associativo e a experiência de atividades familiares comunitárias, que os motivaram a organizar-se em cooperativas.A história relata que os problemas de comunicação, adaptação à nova cultura, carência de estradas e de escolas e discriminação racial criaram entre eles laços de coesão, resultando no nascimento de sociedades culturais e agrícolas. Assim, fundaram suas próprias escolas e igrejas e iniciaram atividades de caráter cooperativo, como mutirão para o preparo de solo, construção de galpões, casas, colheitas.Com a propagação da doutrina cooperativista, as cooperativas tiveram sua expansão num modelo autônoma, voltada para suprir as necessidades dos próprios membros e assim se livrarem da dependência dos especuladores.Embora houvesse o movimento de difusão do cooperativismo, poucas eram as pessoas informadas sobre esse assunto, devido à falta de material didático apropriado, da imensidão territorial e do trabalho escravo, que foram entraves para um maior desenvolvimento do sistema cooperativo.

  • LEGISLAÇÃO

No início dos anos 70, a Lei 5.764/71 disciplinou a criação de cooperativas, porém restringiu a autonomia dos associados, interferindo na criação, funcionamento e fiscalização do empreendimento cooperativo.A limitação foi superada pela Constituição de 1988, que proibiu a interferência do Estado nas associações, dando início à autogestão do Cooperativismo que favoreceu intenso crescimento das cooperativas de crédito e de trabalho.Em 1995, o Cooperativismo brasileiro ganha o reconhecimento internacional. Roberto Rodrigues é eleito o primeiro não europeu para a presidência da ACI – Aliança Cooperativista Internacional, fato que contribuiu também para o desenvolvimento das cooperativas brasileiras.

  • OS PRINCÍPIOS DO COOPERATIVISMO

Os Princípios estabelecidos em Rochdale sofreram algumas adaptações, até chegar aos dias de hoje.

  1. Adesão livre e voluntária
  2. Controle democrático
  3. Retorno “pró-rata” das operações
  4. Vendas à vista
  5. Juros limitados ao capital
  6. Educação constante
  7. Neutralidade política e religiosa
  8. Pureza e qualidade dos produtos
  9. Indivisibilidade dos fundos de reserva
  10. Comércio exclusivo com os associados
  11. Aspiração a conquistar e cooperativar a organização econômica e social mundial

O Cooperativismo, onde é praticado, tem ajudado a tornar nosso país numa nação mais desenvolvida e socialmente mais justa. É só verificar o IDH das cidades brasileiras em que existem cooperativas: nelas, o Índice de Desenvolvimento Humano está acima da média nacional.